sexta-feira, 14 de abril de 2017

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As palavras que me ditas, são enlevo

dos sentidos, carregadas de emoção;

Muito além das que sinto quando escrevo;

se não me falta o sentido da razão.




Se nesse sentido eu sentisse, por saber,

quando morre uma palavra em poesia

soltaria de alegria e de prazer

a lágrima que se solta de alegria






quarta-feira, 29 de março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

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O Sr. Joaquim Macio era uma árvore de fruto. Daquelas velhas, rugosas, agarradas à terra e aos afectos com raízes que se mostravam em artérias cansadas e nodosas.
Vivia num bairro pobre do Porto, onde as crianças cresciam seminuas de risos e calçadas de deus-dará. Como árvore de fruto que era, o Sr. Macio era um pólo de atracção para elas, que, passarinhos em bandos, lhe rodeavam a generosidade da fruta madura. Mas era uma árvore ambulante, o Sr. Macio... Quando o chilreio da sua chegada, anunciada pela buzina polifónica do seu já cansado carrinho de mão, se fazia colheita, as crianças do bairro rodeavam-no, em gorjeios de ávido desafio.
O carrinho, ele construíra por suas mãos, com caixas de fruta, de madeira alheia, ferragens doadas e pneus desprezados. A buzina, uma preciosidade, comprara-a na feira de Vandoma, lá para as bandas das Fontainhas. A fruta saía de si, dos seus amanheceres laboriosos, e do seu mendigar nobre pelos pavilhões do Mercado Abastecedor de Frutas. 
-“Ó Sôr Barafusta, num tem por aí uma frutinha mais pró passado?...”
-“Carago, ó Freitas, arremata-me isso por cem escudos, pá!... é milhor que deitar fora, hoje é sêsta!!”
-“Os putos lá da minha rua nunca comeram manga, bai ser uma festa, ai non!...”
-“Ó Cooooosta!!!”
Toda a gente conhecia o tronco, quer dizer, o carrinho de madeira do Sr. Macio... e se havia alguns que não se coibiam de lhe levar uns trocos pela fruta arrematada, muitos havia que lha davam de graça, como as estações às árvores de fruto.
E ele lá seguia, percorrendo a manhã, enchendo os seus ramos pródigos de cores sumarentas da fruta a cair de madura. 
E, à tarde, era Verão no bairro pobre... Verão generoso, que ele repartia com os olhos a luzir gosto e bondade.
As mães vinham, fingindo apreçar a fruta, que não era de pesar ao quilo, mas à vontade. Ele vendia, com mão que não conhecia o peso certo e aceitava paga só de quem sabia poder pagar-lhe (ele era uma árvore antiga, grande, altaneira, dos seus ramos viam-se as janelas de todas as casas).  Às outras, ele cobrava só com um “bai lá embora, bai!... olha o miúdo que quer comer um carangueijo!... laba-o, oubiste?...”.
E a festa da apanha da fruta acabava com o chão juncado de sumos pegajosos e as mãos cheias de colheita farta. E com o coração macio do Sr. Joaquim Macio, leve e alegre, como o seu carrinho de madeira e a sua buzina polifónica.

Teresa Teixeira

Sublimar

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

«amiga maior que o pensamento»











No espaço, na interferência
infinitamente fraquinha,
sinto a minha consciência;
que apenas sei que ela é minha
se mexe nos corações...
Mas digo-o com alegria
porque sei quem a elegia
a melhor das dimensões!...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

FINGUIM ROOF

FINGUIM ROOF
VISEU